Liz Sales

Um registro simples e tranquilo do cotidiano

Meditação à beira de um poema, por Adélia Prado

Há um tempo atrás eu estagiava num colégio e certa vez, ajudando na biblioteca, encontrei um livro de poemas da Adélia Prado, acho que era "Oráculos de Maio" o nome. Eu li todas as poesias, e bem, há uma coisa que você, querida leitora, precisa saber sobre mim: eu tenho MUITA dificuldade em ler (entender) poesias. Acho-as tão bonitas, porém nem sempre consigo entender a sua profundidade. Fechei a última página com uma sensação de que não havia sido muito tocada por aquelas palavras mas ao menos algumas eu guardei. Carregam como título: "meditação à beira de um poema":

Podei a roseira
no momento certo
e viajei muitos dias,
aprendendo de vez
que se deve esperar biblicamente 
pela hora das coisas.
Quando abri a janela, via-a,
como nunca a vira
constelada,
os botões,
Alguns já com rosa-pálido
espiando entre as sépalas,
jóias vivas em pencas.
Minha dor nas costas,
meu desaponto com os limites do tempo,
o grande esforço para que me entendam
pulverizaram-se
diante do recorrente milagre.
maravilhosas faziam-se
as cíclicas perecíveis rosas.
Ninguém me demoverá
do que de repente soube
à margem dos edifícios da razão:
a misericórdia está intacta,
vagalhões de cobiça,
punhos fechados,
altissonantes iras,
nada impede ouro de corolas
e acreditai: perfumes.
Só porque é setembro

Via: Escritas

4 Comentários

  1. Que coisa linda Liz. Eu também não sou "especialista" em poesia, mas quando um texto te toca é porque ele transcende gêneros e classificações. <3

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  2. Também sou PÉSSIMA entendendo poesia kkkrying

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