Tirando a poeira e lendo romances de vampiro


Tenho algumas coisas pra atualizar desde a última vez que estive por aqui, mas por ora, só quis mesmo dar uma breve passada e tirar um pouco a poeira que deixei nesse último mês. 

Uma das coisas que comecei a fazer foi ler Crepúsculo pela primeira vez (motivada pela maratona que fiz dos filmes ano passado). Posso dizer que a Liz Crepusculete segue vivíssima, haha. 

Começar a ler a saga mais velha foi bom pra justamente conseguir observar problemáticas e outras nuances que com os meu treze eu provavelmente iria usar de parâmetro de romântico e ideal. Hoje consigo ver que a Bella tem pouquíssima estima por si mesma, mas ao mesmo tempo não é tão rasa como muitos dizem. 

Tô gostando de toda atmosfera de Forks e de ler a Bella citando romances que estão na minha lista há anos, ou fazendo coisas triviais, e amando também ficar discutindo pretérita com cada decisão que ela toma e que é beeem duvidosa. No final, percebi que a senhorita Swan na real, tem muita sede de pertencimento e viu em Edward esse porto seguro, se é que assim posso chamar. Claro que temos só aí muito o que discutir, e por isso foi bom ler fora de todo aquele hype pra tirar as minhas próprias conclusões, além de simplesmente dizer que amo ou odeio por dizer.

P.s: nessa minha trajetória de revisitar essa história, sem dúvida, uma das melhores coisas foi conhecer e mergulhar nas playlists maravilhosas que fizeram em torno da saga.

P.s 2: estou apresentando os filmes pra mainha e tão sendo muito engraçadas as reações dela. 

Fevereiro de 2022


Foi no último domingo das minhas férias que assim, meio de repente, fomos à praia só por querer sair da rotina. Só por querer ver o mar (acho que a última vez tinha sido em 2019). É engraçado como a gente esquece as ansiedades do cotidiano quando tá num lugar como esse! A natureza e seu poder de nos revigorar!

Agora já comecei as aulas, mais um ciclo. Vamos voltar presencial? Sim, não?... Vou dar conta? Vou me formar um dia? São perguntas que invadem esse coração ansioso. Deixo pra lá, e deixo pra lá também essa mania de querer tudo no lugar, de ser 100% organizada, por que afinal, quem consegue ser assim e ficar bem? Quem consegue ser assim? 

Cada vez mais eu quero me concentrar exatamente nesse hoje, aqui e agora. Pois o mundo não anda bem das pernas e já faz tempo, e eu sinto como se absorvesse demais tudo que tem acontecido. Sim, é tempo de chorar com os que choram, e cada vez mais é tempo também de olhar pro agora da gente. Eu tenho tentado me equilibrar em meio a todos esses nossos contrastes. Só não quero jamais negar a dor, tampouco aqueles suaves dias de felicidade clandestina que vem pra me sustentar e me alegrar. 


Na volta da praia, aproveitamos pra almoçar fora <3


Gosto de fazer esses mosaicos de fotos, e de registrar mesmo que seja detalhes "bobos" do cotidiano, que na real nunca são bobos. Por exemplo, em ordem temos: 1) o dia que me senti inspirada e fiz guacamole, 2) o entardecer de uma segunda-feira tranquila, 3) o dia que coloquei meu almoço mega colorido num prato bonito, só por querer, 4) o dia que mainha trouxe um pé-de-limão pra casa, 5) o dia que eu tava super pilhada com a facul (claro kkk) e o meu padrasto trouxe milk-shake pras nós duas, 6) o dia que não tive a primeira aula do dia e consegui tomar sol.

E assim tem sido. Hoje já não curto essa coisa de positividade exagerada, de querer achar o lado bom de exatamente tudo que acontece, porque às vezes simplesmente não tem mesmo. Tem dias, ruins mesmo, e nesses eu prefiro silenciar. Só que em meio a essa loucura que o mundo - sempre - tá, penso que não podemos esperar tudo se ajeitar, ou acontecimentos dignos de filme pra sentir que estamos aproveitando a vida. Tenho preferido tentar me manter atenta a esse dia-a-dia comum, mas real. 

Te convido a fazer esse exercício também. 

P.s: apesar de achar o antigo layout do meu blog lindo, decidi retornar pra um modelo simples até eu conseguir investir em outro. Aguardemos.

Um livro para cada uma de minhas vidas

26 de janeiro de 2022. Essa foi a data em que terminei de ler todas as crônicas da Clarice Lispector. Quem me acompanha no skoob pôde ver a minha saga com esse livro; comentei que tinha sido como uma gravidez, um processo. Eu engatei nele em agosto do ano passado, e entre pausas e dias em que eu o devorava, posso dizer que ao fechá-lo tive a sensação de que esse é um dos livros de uma de minhas vidas. E essa ideia eu peguei de uma crônica onde a Clarice diz que para cada momento-fase de sua vida (o que ela chama de uma vida) ela foi marcada por uma obra diferente. Na infância o patinho feio, Aladdin e as histórias de Monteiro Lobato instigaram a sua imaginação, já mais velha um outro chamado o lobo da estepe a dilacerou. 

Pensei então, quais são os livros de cada uma de minhas vidas? Na infância lia e relia e rabiscava um livro de capa verde e dura, se não me falha a memória, chamado os músicos de Bremen. Eu tinha também as histórias do Maurício de Souza, e era amiga da Mônica, do Cebolinha, da Magali, Cascão, Chico Bento e toda a sua turma. Lembro também de uma Bíblia ilustrada que eu ganhei em algum momento. De um lado havia uma ilustração das histórias bíblicas que pareciam uma pintura, achava lindo, gostava de observar todos os detalhes; e na próxima página havia uma história que a acompanhava. Ao que me recordo foi o primeiro livro grandinho que li em um só dia e me orgulhei demais desse feito (era mais resumido que uma Bíblia na íntegra). 

Mais tarde, na adolescência eu gostava de me refugiar na biblioteca da escola quando esta estava aberta e foi quando eu me senti menina-mulher: conheci os livros sem figura. Mas foi entre as literaturas que minha mãe trazia do trabalho que com quinze, eu me impactei a primeira vez com a menina que roubava livros, e entendi o poder das palavras. Em outro momento, ganhei da minha tia num aniversário batendo a porta do céu (título inspirado na música do Bob Dylan) e tive vontade de, como a Sílvia, viajar, me voluntariar, agir localmente também, fazer mais por mim e pelo mundo.

Com dezoito, tive um ano difícil, e fui acalentada com série Cris, as aventuras de uma garota chamada Cristina Miller e seus amigos me trouxe de volta perspectivas, e me ajudou a refletir sobre a minha fé. 

Aos vinte ri e chorei com a Anne de Green Gables, a sua resiliência, a sua força, a sua paixão de viver, a sua poesia, o seu amadurecimento me inspiraram. Em amor de redenção, eu fui confrontada: tive raiva da personagem e logo vi que estava me olhando em um espelho. Eu era Angel. Eu não sabia receber amor. Eu precisava descobrir o Amor. 

E então, aos vinte e quatro, Clarice falou comigo. Ela disse que não era difícil entendê-la, era apenas questão de sentir. De estar na mesma frequência. Ela me ensinou que eu posso falar do cotidiano, das minhas percepções, não porque isso vai mudar algo, mas porque escrever é importante para mim, e compartilhar também. Também entendi que eu não preciso ser forte sempre: a fraqueza também deve ser respeitada. Que solitude é coisa rara e precisa. Que viver é duro mas é preciso viver - afinal, tudo que é vivo se contrai. E que às vezes, eu vou sentir saudade de mim e não aguentar os barulhos e ruídos da vida, e nesses momentos terei certeza que isso é uma chamada à desacelerar. A silenciar. 

Mal posso esperar para descobrir qual é o próximo livro que me espera após a próxima curva na estrada.